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Açailândia,23/03/2026

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Maranhão: racha na esquerda pode tirar o PT da disputa pelo governo

Embora exista disposição, falta retorno do PSD para embarcar em tal proposta. Ao Metrópoles

Metrópoles
Maranhão: racha na esquerda pode tirar o PT da disputa pelo governo

A esquerda enfrenta um momento de racha no Maranhão depois que governador Carlos Brandão (sem partido) optou por lançar o sobrinho como candidato à sucessão. A decisão descumpre acordos políticos firmados no campo progressista e expõe disputa antiga no estado.

Até então, a expectativa do Partido dos Trabalhadores era uma chapa encabeçada pelo vice-governador do estado, Felipe Camarão (PT). No entanto, Brandão lançou Orleans Brandão (MDB), no último sábado (14/3), em um evento realizado em São Luiz.

A candidatura, embora não conte com apoio do PT, foi anunciada com referências ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva — o que irritou alas da legenda, já que após a “traição” o partido pode até mesmo ficar sem um candidato próprio ao Palácio dos Leões.

Além de fotos de Lula em posters espalhados pelo evento, o jingle “Olê, olê, olá, Lula, Lula” foi adaptado para “Olê, olê, olê, Orle, Orleans”.

Para políticos locais consultados pelo Metrópoles, a decisão de Carlos Brandão lançar o sobrinho para a disputa no estado desmanchou a aliança progressista entre o governo local e o PT, e ainda expôs um racha com dinistas — nome dado aos políticos ligados a Flávio Dino.

Maranhão é reduto eleitoral de Dino, estado em que o atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) fez trajetória política — foi eleito deputado federal, governador e senador.

Relatos feitos à reportagem afirmam que, mesmo fora do estado, o ministro ainda tem forte influência nas decisões locais — e pode ter peso no pleito de outubro.

Eleições no Maranhão

• A disputa eleitoral no Maranhão expõe um racha na esquerda no estado depois que o atual governador do estado, Carlos Brandão (sem partido), que deixou o PSB em 2025, decidiu lançar um candidato próprio e sem apoio do PT e de políticos ligados a Flávio Dino;

• Carlos Brandão era vice-governador de Flávio Dino e assumiu o cargo depois que ele renunciou para concorrer ao Senado Federal pelo estado;

• A decisão de Brandão bagunçou o jogo político do PT no estado, que ainda busca compor o melhor cenário para a disputa de outubro;

• Entre os principais nomes para disputar o governo, pesquisas mostram Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB) e Felipe Camarão (PT).

Racha na esquerda

Carlos Brandão era vice-governador e assumiu o governo depois que Dino deixou o cargo para concorrer ao Senado Federal. Até então, a chapa Dino-Brandão reunia o campo progressista maranhense — reunindo de lulistas até dinistas — e havia a expectativa de que a aliança fosse mantida neste ano.

Para petistas, Brandão colocou a aliança em xeque ao anunciar o sobrinho como sucessor, o que bagunçou a chapa petista no Maranhão e pode rachar o eleitorado.

O PT ainda não decidiu qual será a composição da chapa maranhense para outubro, no entanto, já decidiu que não vai apoiar Orleans ao governo, como mostrou o Metrópoles, na coluna Igor Gadelha.

PT busca arranjos no Maranhão

Entre possíveis arranjos em discussão, a reportagem apurou que o PT trabalha com a hipótese de retirar Felipe Camarão (PT) da disputa pelo estado. O atual vice-governador estaria disposto a concorrer a uma vaga no Senado pela legenda.

Com a possível renúncia, o partido apoiaria o prefeito de São Luiz, Eduardo Braide (PSD) — que aparece em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para o governo maranhense.

Embora exista disposição, falta retorno do PSD para embarcar em tal proposta. Ao Metrópoles, membros da ala petista reconheceram que há ausência de retorno positivo da legenda para seguir com esse arranjo.

Disputa antiga

Embora o rompante do Brandão com dinistas pareça recente, políticos maranhenses afirmam que o afastamento entre os dois campos é observado nos últimos anos. Entre os indícios, interlocutores apontam a ausência de Carlos Brandão no casamento de Flávio Dino, em meados de 2025.

Na época, o governador do Maranhão minimizou o fato de não ter sido convidado. “Eu não fui convidado, mas acho que faz parte. Você dá uma festa na sua casa, você convida uns 10 amigos, aí o que não é convidado é seu inimigo? Não é bem assim”, disse ao Metrópoles.

O rompante também ganhou novos tons no fim do ano passado, quando Brandão deixou o PSB, partido que era de Flávio Dino e que compunha a base progressista no Maranhão





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