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Dias antes de ser alvo da PF por ordem de Dino, Cutrim fez denúncias contra o ministro

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Dias antes de ser alvo da PF por ordem de Dino, Cutrim fez denúncias contra o ministro

Dias antes de ser alvo de mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira (17), ordenados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, o secretário de Assuntos Legislativos e ex-secretário de Segurança do Maranhão, Raimundo Cutrim, gravou vídeo denunciando o que classificou como “onda de terror” promovida por aliados do magistrado no Estado. No vídeo, de 11 de julho, Cutrim contou que já havia sido alertado sobre iminente ação contra ele, informação que circulava como “boato” espalhado por parlamentares “dinistas”.

Raimundo Cutrim, que também é delegado aposentado da Polícia Federal e ocupou por duas vezes a Secretaria de Segurança Pública do Estado, defendeu sua trajetória no vídeo, ressaltando ser um homem de “vida limpa”. Ele reconhece o parentesco distante com Gilbson César Soares, autor confesso do homicídio no caso Tec Office, mas acusa o grupo político ligado a Dino de utilizar o crime de forma oportunista. “Gilbson matou sob a luz do dia, confessou repetidas vezes. Disse que o fez por problema pessoal”, lembrou o secretário.

O ponto mais crítico do vídeo é quando Cutrim questiona a imparcialidade de Dino para julgar o caso, referindo-se ao fato de ser explicitamente seu “rival político”. Cutrim relata que tomou conhecimento de um suposto mandado de prisão por obstrução de Justiça através de parlamentares “dinistas”. Ele vai além nas acusações, afirmando que esses mesmos parlamentares se fizeram de “portadores de recados propondo troca de sentenças do mesmo ministro por redutos eleitorais” nas eleições de 2024.

Disputa pelo poder

A operação contra Raimundo Cutrim, na noite de 18 e 19 últimos, é o ápice de um complexo xadrez jurídico em que o ministro assumiu um papel central. O caso, inicialmente tratado como um inquérito de homicídio já elucidado na esfera estadual, transformou-se no epicentro de uma disputa de poder no Maranhão.

Para compreender a complexidade do caso, é necessário lembrar à origem do crime. O assassinato do empresário João Bosco, ocorrido em 2022, não foi um crime isolado, mas o desfecho de uma trama envolvendo recursos públicos, nomeações políticas e disputas entre agiotas.

João Bosco era amplamente conhecido por sua ficha criminal extensa e por atuar como agiota. Em 2022, após Camarão se descompatibilizar para concorrer à vice-governadoria, sua equipe que permaneceu no cargo realizou um pagamento daquela conta ressuscitada. Esse dinheiro público tornou-se o centro de uma disputa entre agiotas.

Gilbson César Soares e João Bosco entraram em conflito pela disputa desse dinheiro. Gilbson matou João Bosco em 2022. O crime foi investigado, confessado, elucidado. Gilbson foi processado, julgado e condenado pela Justiça estadual, iniciando o cumprimento de sua pena.

Mudança de Narrativa

Tudo mudou a partir de 2024, coincidindo com o rompimento político entre o governador Carlos Brandão e Flávio Dino. A esposa de Gilbson declarou publicamente que havia procurado pessoas ligadas ao governador Brandão em busca de apoio para a soltura do marido. Não obtendo abertura, ela afirmou que procuraria “o outro lado”.

Após essa sinalização, Gilbson passou a apresentar versões sobre o crime. Essas novas declarações, contrariando suas próprias versões anteriores e seus vídeos de 2022, agora envolviam pessoas do entorno do governador Carlos Brandão, como Raimundo Cutrim.

O caso foi transferido para o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Diante da falta de andamento processual na corte, ocorreu um movimento atípico: o ministro Flávio Dino avocou para si o processo no STF.

Em seguida, Flávio Dino proferiu decisão que mudou os rumos da investigação: concedeu liberdade ao assassino confesso. Fora da prisão, Gilbson passou a atuar midiaticamente, gravando vídeos e concedendo entrevistas com acusações diretas contra pessoas do entorno do governador Carlos Brandão.

As acusações que basearam a busca e apreensão contra Cutrim foram enviadas por Gilbson ao STF. O assassino confesso alega que o secretário cometeu os crimes de coação e fraude processual, orientando seu pai e sua esposa a mudarem a versão dos fatos para proteger aliados do governo.

A defesa de Cutrim argumenta que as falas foram retiradas de contexto e que a aproximação da família de Gilbson tinha motivações puramente financeiras, ocorrendo antes mesmo do homicídio. A defesa aponta ainda que a investigação do Ministério Público sobre a súbita mudança de versão foi paralisada justamente por um habeas corpus concedido pelo ministro Flávio Dino.

Confira o vídeo no link abaixo

https://x.com/ColunaCH/status/2078982481018056857




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