Editorial: De parceiros de Lula a ausentes no segundo turno — o silêncio de Orleans e Brandão
Grupo que se dizia aliado do presidente perdeu no primeiro turno e agora evita se manifestar; nos bastidores, cresce a especulação sobre apoio a Flávio Bolsonaro
Orleans Brandão e Carlos Brandão sempre fizeram questão de posar ao lado de Lula. Diziam-se amigos, parceiros, aliados de primeira hora. Mas não era convicção: era estratégia. O grupo apostava que chegaria ao segundo turno contra Eduardo Braide e, lá, receberia o apoio do presidente.
O plano era claro: colar a imagem em Lula durante a campanha, chegar ao segundo turno e, então, cobrar o apoio. Mas o cálculo falhou — Orleans sequer chegou ao segundo turno no Maranhão.
Durante a campanha, os dois tentaram colar a imagem de Lula de todas as formas. Em alguns momentos, a Justiça Eleitoral teve que intervir para retirar peças que associavam o presidente ao nome de Orleans. Para quem entende de política, a intenção era clara: garantir o apoio de Lula no segundo turno.
Agora, depois da derrota para Braide, Orleans e o tio governador sumiram. Não se manifestaram sobre o segundo turno. Não declararam voto. Não subiram no palanque de ninguém. O silêncio é o retrato do que sobrou da parceria.
Mas há uma ironia nisso tudo. Se antes o grupo Brandão tentava colar em Lula para conseguir apoio, agora é Lula quem precisa de apoio. O presidente está atrás nas pesquisas para Flávio Bolsonaro e tenta reverter o jogo no segundo turno. E, no Maranhão, o grupo que se dizia parceiro simplesmente desapareceu.
A pergunta que fica: se a amizade era tão sólida, por que ninguém apareceu para apoiar Lula agora? Ou será que o grupo Brandão está ensaiando um apoio a Flávio Bolsonaro — o principal rival do presidente — como uma forma de vingança?
Em política, o silêncio também fala. E o silêncio do grupo Brandão, neste momento, diz muito.
Fonte: Blog do Valber Alves




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