• Açailândia, 22/08/2026
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Conexão no STJ: STF investiga se senador Weverton Rocha articulou blindagem em caso de homicídio no Maranhão


Conexão no STJ: STF investiga se senador Weverton Rocha articulou blindagem em caso de homicídio no Maranhão

Um inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) apura se o senador Weverton Rocha (PDT- MA) atuou para tentar atrapalhar as investigações de um assassinato ocorrido em 2022 no Maranhão.
A suspeita é que ele tenha contado com o auxílio de um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A Polícia Federal (PF) localizou no celular do senador contatos com o ministro Humberto Martins, do STJ, que era relator do homicídio porque havia indícios de envolvimento no caso de um integrante do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), que tem foro especial perante o STJ (entenda o caso mais abaixo).

Em 2024, a Justiça maranhense condenou Gilbson Cutrim Soares Júnior pelo assassinato do empresário João Bosco Sobrinho.

As investigações iniciais, feitas pela Polícia Civil do Maranhão, concluíram que Gilbson Júnior matou o empresário após um desentendimento pessoal. Mas, posteriormente, surgiu a suspeita de que o motivo era a divisão de propinas no estado, em um esquema que envolveria o grupo do governador Carlos Brandão.

Um sobrinho do governador, Daniel Brandão, que hoje é presidente do TCE-MA, teria participado da reunião em que houve um desentendimento sobre a divisão das propinas que acabou com Gilbson Júnior baleando o empresário João Bosco.


Essa informação, segundo apurações posteriores da PF, foi omitida da investigação inicial feita pela Polícia Civil.

A PF pediu que Gilbson Júnior fosse transferido por correr risco no estado. Em junho de 2025, o ministro Humberto Martins decidiu pela transferência para a Penitenciária Federal de Brasília.

“A análise do material extraído do aparelho celular de Weverton Rocha revelou a existência de comunicações diretas com o Ministro do STJ, Humberto Martins, mantidas de forma reiterada entre 25/01/2023 e 04/10/2025. De acordo com a análise, esses contatos ocorreram por meio de diferentes canais, sendo identificadas mensagens de texto, áudios, ligações telefônicas e compartilhamento de mídias, a partir dos terminais vinculados a ambos”, afirmou a PF. 



A PF disse que um dos contatos entre Weverton e o ministro Humberto Martins ocorreu no dia 2 de junho 2025, data da transferência de Gilbson Cutrim

A suspeita é que o senador Weverton tenha atuado, junto com outros investigados, para evitar que as investigações alcançassem o grupo político e familiares do atual governador do estado Carlos Brandão.

O senador é investigado no inquérito no STF. O ministro Humberto Martins não é alvo do STF.

Segundo a PF, no caso do assassinato, Raimundo Cutrim teria agido para garantir silêncio absoluto sobre a suposta participação de agentes públicos e de integrantes da família do governador. Uma espécie de contrainteligência. 

Ele teria teria repassado cerca de R$ 160 mil em espécie a familiares do assassino para alterar depoimentos.

“Segundo o relato, o montante teria sido fracionado em três parcelas, R$ 80.000,00, R$ 50.000,00 e R$ 30.000,00, sendo os valores entregues no imóvel vinculado a Raimundo Cutrim, situado no bairro Vinhais, São Luís/MA”, disse a PF.

As investigações da PF apontam Raimundo Cutrim como um dos principais nomes da suposta organização criminosa que atuava em contratos do governo estadual do Maranhão. Ele é aliado do governador Carlos Brandão.

Ainda de acordo com a PF, há um “ecossistema empresarial criminoso” que envolve a cúpula do governo do Maranhão e supostos crimes de corrupção, desvios de emendas parlamentares, coação de testemunhas e obstrução de Justiça.

O caso do assassinato saiu da esfera estadual e foi para o STJ depois que surgiram indícios de envolvimento de Daniel Brandão, por ser membro do Tribunal de Contas. Depois, seguiu para o STF porque a defesa do executor, Gilbson Júnior, apontou suspeitas contra o senador Weverton Rocha. 

Como parlamentar federal, ele tem foro no Supremo. O processo foi sorteado para o ministro Flávio Dino relatar.

Weverton já havia alvo de busca e apreensão em outra investigação, a Sem Desconto, sobre as fraudes no INSS. Como seu telefone celular tinha sido apreendido, o ministro André Mendonça, relator do caso do INSS, compartilhou com Dino as mensagens apreendidas. Foram então encontrados os contatos de Weverton com o ministro do STJ Humberto Martins.

Fonte: G1 Globo 




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