• Açailândia, 22/08/2026
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G1 Globo: Homem preso por homicídio diz que pode provar crimes de Carlos Brandão

Condenado por homicídio em São Luís entregou à PF documentos que, segundo ele, podem ajudar a comprovar a participação do grupo do governador Carlos Brandão (MDB) em crimes.

G1 Globo.com
G1 Globo: Homem preso por homicídio diz que pode provar crimes de Carlos Brandão

Condenado por um homicídio ocorrido em São Luís que revelou um suposto esquema de desvio de dinheiro público no Maranhão, Gilbson César Soares Cutrim Júnior entregou à Polícia Federal (PF) um conjunto de documentos que, segundo a sua defesa, podem comprovar a participação do grupo político do governador Carlos Brandão (MDB) em práticas criminosas, informa o G1.

Entre as supostas provas apresentadas aos investigadores estão um papel escrito à mão contendo números de processos, a etiqueta original que acompanhava um maço de notas em dinheiro vivo e o vídeo de um veículo utilizado durante as operações do grupo.

De acordo com a petição protocolada pela defesa de Gilbson Júnior na Polícia Federal, o governador e seus familiares teriam alinhado com o réu um esquema focado na cobrança de processos relativos a recebíveis de gestões estaduais passadas, bem como no transporte de valores em espécie diretamente para o escritório da família Brandão.

Conforme a versão apresentada por Gilbson Júnior, a engrenagem do esquema consistia em abordar empresários que possuíam créditos a receber do governo do estado de administrações anteriores. A atual gestão se comprometia a efetuar os pagamentos desde que as empresas devolvessem uma porcentagem do dinheiro cobrado em forma de propina.

A petição enviada aos investigadores da Polícia Federal detalha como funcionava o direcionamento das cobranças: “Ficou acertado que Gilson César Soares Cutrim Júnior deveria ‘correr atrás’ de empresas que teriam valores a receber de gestões passadas, mais especificamente os valores que fossem acima de R$ 5.000.000,00 (cinco milhões). Para tanto, foi-lhe repassada uma relação de processos conforme foto do documento abaixo”.

Gilson Júnior cumpre pena por ter assassinado a tiros um homem em agosto de 2022, nas dependências do centro comercial Tech Office, na capital maranhense. Na época, a Polícia Civil do Maranhão concluiu as investigações apontando o crime como decorrência de uma briga de motivação pessoal. Em 2024, ele foi julgado e condenado.

O rumo do caso mudou após a intervenção da Polícia Federal nas apurações. Os investigadores federais apontaram que o assassinato, praticado à luz do dia, esteve diretamente relacionado a um desentendimento motivado pelo descumprimento do encadeamento na divisão de propinas decorrentes de contratos públicos do governo do estado.

Em depoimento prestado à PF, Gilbson Júnior revelou ter participado de diversas reuniões com o próprio governador Carlos Brandão no Palácio dos Leões, sede do Poder Executivo do Maranhão, e admitiu ter transportado malas e volumes de dinheiro para o interior da sede do governo.

Em desdobramento recente, o ministro Flávio Dino, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento do cargo do presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), Daniel Brandão — que é sobrinho do governador. Daniel é investigado por suspeita de participação no esquema criminoso e estava presente na reunião realizada no Tech Office no momento em que ocorreu o homicídio em 2022.

A compra de silêncio e as provas entregues

Conforme a narrativa da defesa enviada à PF, antes de o condenado e seus familiares tomarem a decisão de colaborar com as investigações e implicar os políticos, o assassino estaria recebendo repasses mensais.

“Foi oferecida a importância mensal de R$ 30 mil para comprar o seu silêncio. Acontece, entretanto, que do valor acordado, somente R$ 15 mil passaram a ser recebidos pela família do preso. Tais pagamentos eram feitos por intermédio do motorista do senhor Marcus Brandão [irmão do governador], o nacional Erick, que entregava o valor em mãos ao pai do senhor Gilsson Júnior”, relatou a defesa do réu.

A petição esclarece ainda a origem da imagem do veículo anexada às investigações: “Em um dos encontros para recebimento do dinheiro em espécie, foi retirada uma foto do carro usado”, destacou a defesa, ressaltando que a intenção da imagem era permitir a identificação do proprietário por meio da placa do automóvel.


Ainda segundo a defesa, em um dos pagamentos mensais, "foram entregues maços de dinheiro com etiqueta identificável do Banco do Brasil". 

A família de Gilbson Júnior tirou uma foto da etiqueta que teria vindo no maço de dinheiro e a apresentou aos investigadores. 

A ideia é ajudar a polícia a identificar a agência bancária para chegar em quem sacou aquelas notas. 

Veja abaixo:

Etiqueta que teria vindo no maço de dinheiro apresentada à PF — Foto: Reprodução

Manifestação dos investigados

O conselheiro Daniel Brandão, afastado da presidência do TCE-MA por decisão do STF, declarou em nota que comprovará sua “absoluta inocência” no decorrer do processo. Ele afirmou estar “à disposição das autoridades e do Poder Judiciário para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários”.

O governador Carlos Brandão rebateu categoricamente as acusações formuladas e declarou ser “revoltante que o depoimento de um réu confesso” seja tratado com credibilidade pelas instâncias investigativas.

Em nota oficial divulgada na íntegra, o governador do Maranhão manifestou-se:

“Recebo com indignação a acusação de que eu seria chefe de uma organização criminosa, e de que recebi valores de um criminoso dentro do Palácio. Isso é inadmissível!”

É revoltante ver que o depoimento de um réu confesso, que cumpre pena por um assassinato em local público e que mudou a versão sobre o caso, está pautando a discussão, sem qualquer questionamento sobre sua credibilidade ou veracidade.

Não há sequer uma prova de todas essas inverdades que estão sendo ditas.

Tenho 35 anos de vida pública e até antes do rompimento entre grupos políticos, nunca tinha respondido a nenhum processo. Foi só depois disso que passei a ser alvo de acusações e ações judiciais. Tudo que construí na vida – minha trajetória, minha família, meu patrimônio – foi com muito trabalho. Não aceito que queiram jogar minha história na lama.

Destaco que minha defesa continua não tendo acesso à integralidade dos autos do inquérito. Mesmo assim, seletivamente, foram publicizadas três decisões.

Destas, me chamou atenção o fato de que a própria Procuradoria-Geral da República se manifestou no sentido de que este caso não deve ser conduzido pelo Supremo Tribunal Federal.

Tenho serenidade de que a verdade vai prevalecer. Inclusive, enquanto governador, tenho mais de 70% de aprovação. Por isso, sigo focado no que sempre fiz ao longo de toda a minha vida pública: trabalhar muito pelo povo do Maranhão."




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